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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O Mito

Matéria de capa da 7ª Edição do Jornal.


Como podemos entender o vampiro? Ele é um mito, uma lenda, uma estória romântica de escritores góticos? Ou o vampiro é baseado em fatos?
A noção popular do vampiro é largamente baseada no clássico filme "Dracula", de 1931, com Bela Lugosi. Em nossas mentes, o vampiro é sofisticado, europeu, geralmente um nobre, que vive num castelo sempre leva uma "vida" de luxo, cercado de coisas finas... mas que nunca bebe... VINHO. O vampiro tem gosto por "algo mais", e é isso que realmente o separa de nós. O SANGUE. O vampiro deve beber sangue fresco tirado de pessoas vivas, pois ele não o tem.
Em tempos mais recentes, o conceito do vampiro veio para a América, para Nova Orleans. O Lestat de Anne Rice e seus companheiros do filme e livro "Entrevista com o Vampiro" também são sofisticados, mas diferentes do Conde Dracula. Eles são inteligentes, elegantes, cultos, mas também selvagens. E mais: eles são sensuais e atraentes. Este é um elemento significante de nosso conceito moderno de vampiro, o elemento que o separa dos "outros monstros": Vampiros possuem SEX-APPEAL.
Mas a sede de sangue e o erotismo não são os únicos aspectos do vampiro. E também não são a chave. O elemento chave do vampiro é a morte. As questões eternas dos humanos sobre a morte, nossa ansiedade e nossos pesadelos sobre essa inevitabilidade (de morrer) alimenta as estórias de vampiros.
"O sangue é vida", disse o Dracula encarnado por Bela Lugosi (uma frase bíblica, aliás). E essa antiga discussão sobre vida, morte e sangue é o que explica a antiguidade do mito também. O primeiro vampiro não foi Conde Dracula. Os primeiros vampiros tiveram suas origens séculos antes de Cristo. Cristo aliás, que tem sido o grande adversário dos modernos vampiros "satânicos" - lembre-se, os vampiros tremem diante da cruz sagrada.
A lenda do vampiro data das primeiras civilizações, como os Assírios, os Babilônicos, e outros povos do Oriente antigo. O vampiro original não era o suave e sofisticado aristocrata europeu que conhecemos hoje.

O vampiro, em sua origem, era um monstro.

domingo, 12 de outubro de 2008

Vampiros e a Idade das Trevas


Texto retirado do Jornal.


Por toda a história a lenda do vampiro foi sendo usada para "explicar" outros fenômenos naturais que os povos primitivos sem conhecimentos científicos não conseguiam explicar de outra maneira. Possivelmente a mais espantosa lenda foi a associação dos vampiros com a Peste Negra na Idade Média na Europa.

A Peste Negra, como era conhecida, na verdade era a Peste Bubônica espalhada por ratos e pulgas. A Peste (que, diferentemente dos vampiros, vieram do Oeste) matou 1/3 da população européia em 1300. O povo da época, porém, associou as mortes com os vampiros. De alguma maneira eles acreditavam que a morte "trabalhava" para os monstros; talvez os vampiros espalhassem a Peste, eles pensavam assim. Em alguns casos as pessoas acreditavam que um doente voltava da morte como vampiro e matava uma vítima (que morreria pela Peste). Alternadamente, acreditavam que um inimigo morto podia retornar e matar alguém, tornando-o um vampiro também. Muitas tumbas foram reabertas e os corpos "suspeitos" foram mutilados para "matar" os vampiros...

Alguns métodos da época beiravam o absurdo. Por exemplo, uma virgem era montada nua num cavalo, e o cavalo era obrigado a passear por entre um cemitério. Se o cavalo (que aparentemente, era mais inteligente que as pessoas) decidisse não passar por determinada tumba, eles assumiam que era uma tumba de vampiro. O corpo era imediatamente exumado e mutilado para "matar" o vampiro e, claro, também para parar a Peste que devastava a região.


Algumas das crenças mais idiotas envolviam métodos usados para matar vampiros ou parar a epidemia do vampirismo. É importante lembrar, porém, que essas crenças parecem idiotas HOJE, mas, na idade da ignorância, pessoas desesperadas eram muito suscetíveis ao poder das superstições.

Os corpos às vezes eram enterrados de bruços. Se o corpo se transformasse em vampiro, ele tentaria escavar para sair do seu caixão, e iria escavar o chão abaixo, pois olhava para o lado errado... Estacas de madeira às vezes eram colocadas no chão acima do caixão, e o corpo que se levantasse se espetaria sozinho nas estacas... com um pouco de sorte elas atravessariam seu coração.

Os corpos também, às vezes, eram enrolados em panos e roupas, para dificultar sua saída do caixão. E as pernas e braços eram amarrados com uma corda.

Pedras enormes também eram colocadas em cima dos caixões, para prevenir o retorno do defunto (talvez isso explique a origem das modernas lápides?). E é importante notar que os antigos povos acreditavam que o vampiro era um tipo de fantasma, que transcendia o caixão. Qual a melhor maneira de se manter um fantasma no caixão, do que selá-lo em pedra?

O processo natural da decomposição às vezes convenciam as pessoas de que defuntos podiam se tornar vampiros:
• os cabelos e unhas continuavam a crescer (indicava a continuidade da vida);
• o cadáver inchava pela ocorrência natural de gases no corpo (indicava que ele se alimentava dos vivos);
• sangue às vezes aparece nos cantos da boca como resultado da decadência do corpo (indicava que ele tinha bebido sangue);
• a aparência grotesca de um cadáver decomposto e de pele pálida (indicava uma fome vampírica por sangue).

O povo ignorante também usavam das superstições para frustrar ataques vampíricos. Duas das mais conhecidas substâncias utilizadas para se afastar os vampiros são o acônito, e, claro, o alho. Uma teoria popular durante a Idade Média acreditava que o cheiro horrível da morte era relacionado com a causa da morte, especialmente durante a Peste Negra, e que a morte tinha relação com os vampiros. Por isso, utilizavam das ervas para contra-atacar o cheiro da morte, e consideravam o aroma potente do alho. Também, durante as eras, o alho era usado como erva medicinal pelos antigos romanos. Ironicamente, a ciência moderna também acredita que o alho pode ajudar as pessoas a se recuperarem, em alguns casos.

As pessoas desenvolviam métodos estranhos quando o assunto era vampirismo. Alguns acreditavam que se um gato preto ou cão pulasse por cima de um corpo, ele se tornaria um vampiro. Em contos bucovinianos, uma estaca de madeira devia ser enfiada no peito dos que se suicidavam; pois o suicídio era uma das causas do vampirismo. Em muitas culturas, incluindo a antiga Inglaterra, as pessoas que cometiam suicídio eram enterradas em encruzilhadas para prevenir que o defunto voltasse como um vampiro.

Vários povos tinham vários métodos para destruir vampiros. Em algumas nações eslavas, uma estaca de madeira, atravessada no peito, matava a criatura - esse era o método favorito de todos, uma estaca através do coração. Em outros lugares, porém, a madeira usada tinha que ser de determinadas árvores. Por exemplo, madeira de carvalho fazia o trabalho na Silésia... enquanto madeira de espinheiro branco era requerida na Sérvia.

Além disso, as cabeças dos defuntos suspeitos de vampirismo era decapitadas. Às vezes, os corpos também eram jogados dentro de poços d´água ou queimados.

Essas crenças foram baseadas na ignorância geral da população, mas uma das maiores tragédias da lenda dos vampiros, foi a real ascendência da crença e do mito vampiro, que pode ter sido ajudada pelos feitos (crimes) da religião organizada.

A Igreja na Europa durante a Idade Média chegou a reconhecer a existência de vampiros e os transformou de mitos pagãos em criaturas do demônio. O vampiro teve sua credibilidade reforçada pela existência das doutrinas cristãs como vida após a morte, a ressurreição do corpo e a "transubstanciação". Esse era um conceito baseado na Santa Ceia em que o "pão e vinho" durante a Comunhão que transubstanciou-se no sangue e corpo do Cristo.

A Igreja durante a Idade Média deu credenciais para a crença nos vampiros, e concluiu também que podiam parar o vampirismo, reforçando essa opinião dois séculos depois, em 1489 como o livro "Malleus Maleficarum" Esse livro foi escrito para se lidar com bruxas, mas também podia ser aplicado contra vampiros malignos. Infelizmente, muitas pessoas inocentes caíram vítimas desse documento, e foram torturadas e executadas. Esse livro, conhecido como "O martelo contra as bruxas na Inglaterra" foi utilizado para identificar e perseguir pessoas que supostamente faziam pactos com o diabo.

Dois séculos depois disso, a evidência de que a Igreja ainda acreditava em vampiros foi encontrada nos escritos do teólogo Leo Allatius. Como estudioso da Igreja, ele estudou os Vrikolakas, os vampiros gregos. Em um documento de 1645 ele conclui que alguns vampiros são resultados da excomungação. A prova de vampirismo grego é a falta de decomposição do corpo, indicando que ele não pode deixar o plano terrestre. Um corpo inchado também era evidência de possível vampirismo. Como alguns corpos não se decompunham rapidamente, pela química do solo ou temperatura do ar, e também alguns inchavam pelo processo natural de produção de gases no organismo morto, muitos cadáveres foram erroneamente nomeados como vampiros. Em contra- partida, a incorruptibilidade - incapacidade do corpo de se decompor - era sinal de santidade do cadáver. A diferença era que o vampiro não apenas se decompunha, mas também ficava grotescamente pálido, enquanto que os "corpos sagrados" permaneciam perfeitamente intactos, como se ainda vivessem. E também, vampiros cheiravam muito mal, enquanto os corpos sagrados não.

Também existia uma crença comum entre os antigos cristãos gregos que um padre ou bispo que excomungasse um agente do mal preveniria o tal corpo da decomposição, uma vez que a alma não estava livre para ascender aos céus, e sim solta na terra para vagar até receber o perdão de seus pecados. Na Igreja do Ocidente essa crença também era seguida. Existiu o caso do Arquibispo de Brehme, no século X, Santo Libentinus. Ele havia dito que excomungou alguns piratas, e o corpo de um deles foi descoberto vários anos depois, sem sinais de decomposição. Aparentemente, é pedido o perdão dos pecados por um bispo antes que o corpo se dissolva em cinzas. Os clérigos eram capazes de fazerem ou matarem um vampiro através de absolvição e excomungação.

Leo Allatius foi um dos primeiros estudiosos a declarar oficialmente que os vampiros eram crias do demônio e que eles rondavam as noites.

A prova de que a Igreja tinha poder sobre os vampiros (lembre-se de que vampiros fugiam de crucifixos e cruzes sagradas, se bem que os modernos vampiros são menos susceptíveis à esses símbolos) data desde a Inglaterra medieval. Um escritor chamado Willian de Newburgh discutiu o caso de um homem que morreu no séc XII a.C. Supostamente, ele se reergueu da tumba para desespero de sua esposa. Após causar muita confusão com os moradores do vilarejo e com os clérigos, o bispo da região perdoou por escrito todos os pecados passados do cadáver. O caixão foi aberto, e o documento foi colocado em cima do corpo do "vampiro". As pessoas ficaram surpresas - ou nem tanto - em ver que o corpo estava sem nenhum sinal de decomposição, provando o vampirismo. Mas, para a felicidade geral, assim que o perdão foi colocado no caixão, o vampiro desapareceu. Note que esse método de exorcizar o vampiro com um documento oficial da Igreja é bem mais sutil que os métodos utilizados na época, como a decapitação, queimar o corpo, arrancar o coração ou mesmo atravessá-lo com uma estaca de madeira.

Por volta de 1700 a universidade Sorbonne de Paris se oporia formalmente à prática comum de se mutilar corpos mortos para evitar os vampiros. A Sorbonne (onde o renomado escritor Voltaire uma vez ficou chocado ao ver uma discussão sobre a legitimidade do vampiro mitológico) finalmente tomou uma atitude aparentemente radical alegando que a prática de se mutilar corpos mortos era baseada em superstições irracionais.

A crença em vampiros, contudo, não seguia sem criticas inteligentes. Dom Agostine Calmet, um monge beneditino francês, escreveu um livro em 1746 que desafiava a questão da existência dos vampiros, chamado comumente de "O Mundo Fantasma". Calmet desafiava as superstições da época e pedia provas antes da aceitação das lendas. Ele duvidava especialmente das proezas sobre-humanas dos vampiros, como voltar da morte. Ele também analisou e criticou as supostas "epidemias vampíricas" da Europa, questionando suas bases na realidade.

Então os séculos de ignorância e superstições deram a vez à Idade da Razão, e vieram os métodos científicos. Hoje a medicina pode provar que as pragas, como a Peste Negra, não foram espalhadas por demônios, nem vampiros metafísicos, mas de maneira bem física, diria microscópica, de maneira biológica.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mudanças, e mais mudanças

É isso ai pessoal, agora que acabou a guerra, o clan está com várias mudanças para levantar o astral do pessoal. A começar pelos novos cargos.

Corpore / Neofita
Membros que não completaram missões, e os novos membros.

Anjo
Membros que completaram 2 missões.

Templário divino
Membros que completaram 4 missões, e possuem mais vitorias que derrotas.

Anjo Inquisidor
Membros que completaram 4 missões, possuem mais vitorias que derrotas e o maior numero de ouro ganho que perdido.

Arcanjo
Membros que completaram 5 missões, possuem mais vitorias que derrotas, e nível 60 superior.

Corrompido pelo Sangue
Membros que completaram 5 missões, possuem mais vitorias que derrotas, maior numero de ouro ganho que perdido e nível 70 superior.

Justicar
Membros que são de extrema confiança dos adm e mostraram seu valor para o clã.

Ancião
Membros que completaram 6 missões, possuem mais vitorias que derrotas , mais ouro ganho que perdido e nível 80 superior.

Matusalém
Membros que completaram 6 missões, possuem mais vitorias que derrotas , mais ouro ganho que perdido ( mínimo 5 mil ) e nível 90 superior.

Antediluviano
Membros que completaram 7 missões, possuem mais vitorias que derrotas, mais ouro ganho que perdido, e nível 100 superior.

LUCIFOGO/ AHURA ORMAZD / IALDABAOTH
Membros que completaram 10 missões, possuem mais ouro ganho que perdido , mais vitorias que derrotas.



Parabéns aos ADMs do clan. (estou afim de um LUCIFOGO sei lá o que logo ehehehehhe)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Artefatos... O Caixão!

Lembram do LJ? Esse texto é dele.



No começo da mitologia Vampírica os Vampiros não dormiam em caixões. Na índia são descritas as cavernas como seus locais de aconchego ( correlacionado com morcegos ).

A partir do século 19, apenas os Vampíros muito ricos poderiam se dar ao luxo de ter caixões, e muitas das histórias de Vampiros não incluiam esse enterro "seguro" - realmente, foi muito precária a natureza medieval dos enterros que provocou medo quem os Vampiros poderiam sair facilmente de seus últimos descanso na Terra.

Pulando para o tempo de Drácula, os Vampiros não exigiam caixões para dormir. Todos exigiam descansar em sua "pátria", na tumba aonde foi colocado seu caixão. Quando Drácula foi para Inglaterra, ele comprou um caixão, e o colocou em sua "terra natal", e nele ele descansava e recuperava sua força.

Hoje em dia, a melhor explicação para o frequente uso dos caixões para os Vampiros descansarem nas histórias é que de fato eles estão mortos; Hoje, nós enterramos nossos mortos em caixões. Os caixões também dão proteção contra a luz do sol (no qual nos tempos modernos sabemos que fere e mata os Vampiros). Como sempre, os caixões tem sido um alvo perfeito para caçadores de Vampiros - um aspecto vital para as historias modernas de Vampiros.

Ainda, nesse século, a maioria dos escritores sobre Vampiros estão novamente mudando os antigos mitos. Em Cronicas Vampirescas, de Anne Rice está como todos os romenaces dessa década, os Vampiros não requerem nada, apenas proteção contra o sol. Criptas, comodos lacrados, é o suficiente para o que eles precisam.

[BA] LECTOR JUSTICARD

terça-feira, 16 de setembro de 2008

DA VÍTIMA E SEU VAMPIRO

Texto enviado via Jornal do Clan por La Femme.


Por ter se tornado imprescindível à existência da vítima, a figura do senhor é uma construção da própria vítima. Talvez esteja fundada aí sua representação vampírica, como aquele que está para além da morte, que emerge da escuridão e carrega consigo o mal. Longe de ser o maior terror, é esse mal seu maior pólo de atração. Destruidor, em primeiro lugar, possibilidade de ultrapassagem dos limites estreitos da vítima, em segundo, ele é figurado como a mais temida e a mais desejada de todas as forças. O vampiro é a maneira como a vítima representa sua possibilidade de liberação, sua possibilidade de consciência, sua paixão de tornar-se outro. Mas, como toda paixão, ela não lhe é consciente. Emerge de um fundo que a excede, daí a força da sedução que a captura.

Representação romântica do século XIX (resgatada de arquétipos anteriores, transculturais), quando o desejo foi poderosamente submergido sob a ordem disciplinar do universo da razão masculina, em particular o desejo do outro sexo – que é sempre a mulher – a figura do vampiro foi convocada a responder ao apelo da feminidade negada, tanto no homem como na mulher, como aquele que invade, que se apropria, que destrói ou que transforma sua vítima em seu semelhante, por assimilação da vítima a ele. Transgressor, fazedor da própria lei, o vampiro abre a possibilidade, no imaginário da vítima, de escapar à lei do desejo que a conforma. Tornar-se também fazedora da própria lei, eis o projeto da vítima, seu sonho, sua utopia. Sua perversão.

De uma demanda de amor à própria afirmação de si como amante, pode a vítima realizar esse passe?

Ora, se a vítima não ama, se não tem a potência de amar, poderia ela construir para si um senhor capaz de amá-la? Como poderia, o que não ama, conceber um amante para si? O que a vítima pode conceber, em sua posição de vítima, é aquele que irá se apropriar dela, de sua vida, seduzindo-a, não o que irá amá-la. E, por essa limitação, ali onde ela sonha sua liberdade, acaba por eleger, no outro, seu tirano. Protegendo-se de se reconhecer enquanto desejante, canta a glória de seu suposto libertador, delegando a ele seu sentido, sua ação, que só seriam efetivos se lhe fossem próprios. Eis o risco de todas as revoluções, individuais ou coletivas, postas no porvir e nas imagens ideais de poder e potência de um líder: a emergência de microfascismos. A cristalização da vítima, o aprisionamento do imaginário, não sua liberação.

O senhor sonhado pela vítima não é, assim, aquele que a afeta e a contamina com sua potência. Ele está, antes, contaminado dela, de sua demanda, de sua impossibilidade. Como pensá-lo, então, senão como tirano, senão como modelizado pelos referentes que a vítima retira do mundo com o ela o vê?

Por isso, um mundo aderido às figuras e estratos de poder a que os sujeitos devem aceder – e neles permanecer – para realizarem sua condição de potência é um mundo onde só há vítimas, pois aquele que ocupa o lugar do poder, o de senhor, está permanentemente ameaçado de ter revertida sua posição, perdendo sua potência de ação. Daí sua aderência ao que pode significá-lo. E a aderência da vítima ao que lhe permite reconhecê-lo. Essa é a ameaça totalitária dos desejos de ultrapassagem e de superação do si-mesmo que concebem um pólo de convergência/referência fora de si para sua realização.

Seria ingênuo, entretanto, conceber um mundo sem vítimas, logo, sem senhores? Ou um outro, em que todos seriam senhores? Uma comunidade, enfim, em que todos seriam livres? Um mundo de seres humanos, de homens integrais? Esse mundo, reiteram as razões e as evidências do mundo, é utópico. Mas é necessário afirmar, sempre e sempre, essa “utopia” como virtualidade, não do amanhã, mas do agora, pois é nela que afirmamos nossa potência e encontramos o motor de nossas ações. Paradoxal, talvez, desejante do impossível, por que não? A verdadeira democracia, um coletivo de múltiplos, afinal, é também uma virtualidade pela qual e para a qual somos convocados a trabalhar (e não a lutar por). Jamais um porvir (daí a inutilidade da luta), sempre um devir (daí o trabalho permanente por sua efetividade).

Um mundo de senhores, um mundo de iguais, cada um em sua diferença e com a própria potência como seu único poder, para ser concebido em sua virtualidade, exige um outro olhar, uma outra positividade, de forma que a apreensão das relações não seja dada só por oposição ou por complementaridade ou disjunção (senhor/escravo, ativo/passivo, masculino/feminino, forte/fraco, escuro/luminoso, bem/mal...), por composição unitária, mas principalemente por simetria, por mutação, por processualidade, por diversidade, por diferença, por multiplicidade, por conectividade. Uma revolução dos espíritos, cujo motor ético exige, por se significar pelo olhar, uma nova assunção estética. Um novo coletivo, o da multidão.

valter a. rodrigues (1996/2002*)

O vampirismo numa perspectiva melancólica



O mito do vampiro se fez presente em vários lugares do mundo. Desde a antiguidade muitos procuram uma explicação plausível para contornar o lendário vampiro. Existem escritos... registros que pronunciam a existência vampírica com data de séculos antes de Cristo.

Na antiguidade a imagem reveladora do vampiro trazia o medo aliado a uma figura monstruosa. Com o despertar da era romancista, muitos escritores procuraram redefinir a figura vampírica. Aquela imagem pressuposta em monstros mitológicos... assombrosos... cabalísticos...ganhou a silhueta mais próxima da humana.

O perfil macabro, voltado para a barbárie, deixou espaço para personagens mais misteriosos, que buscavam um amor... uma amada reencarnada... Um perfil voltado à sensualidade... O melancolismo toma conta das mentes criativas dando desenvoltura ousada aos seus escritos. Werner Herzog ao fim da década de 70, presenteou o cinema alemão com Nosferatu, uma homenagem ao texto original de Friedrich W. Murnau. O filme é ambientado pelo soturno, mergulhado em cores esmaecidas e em tons contrastantes de luz e sombras, o estilo das interpretações, recorda a forma de atuação dos atores do cinema mudo. Nesse filme o personagem vampírico é associado ao desejo insaciável, numa perspectiva melancólica, refletindo os impasses da condição humana. O vampiro, visualmente repelente, lamenta atravessar os séculos incapaz de consumar o desejo de amar, evidenciando o corpo como clausura: “O tempo é um abismo tão profundo como mil noites....A morte não é o pior...é bem mais cruel ser incapaz de morrer... A ausência do amor é a dor mais degradante que existe...”.

Nosferatu era um personagem não contemplado pela beleza, e que acima de tudo tinha anceios como os humanos acerca do verbo amar, incondicionalmente amor... No entanto sua aperência horrenda lhe arrancava quaisquer chances de cativar ... praticar o verbo amar! Para tanto tal personagem é envolto a extrema tristeza... Sentimento com o qual despertava lhe o ódio... a inveja... Levando – o à espreita, como um animal peçonhento a espera de sua vítima! E assim o fazia... não hesitando em avançar sobre o objeto do desejo quando o momento se mostrava propício.


Até mais!!!

La Femme

Jornal do Clan

É isso ai pessoal, o jornal do clan está de volta. Estarei postando os artigos das coluna no blog.


Abraços.